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Oct 08, 2013 | Post by: admin Comments Off

Nunca fui ao Egipto, à Suíça também não. | Jornal Expresso, Atual, Outubro 2013

No início desta exposição encontramos uma moldura que a única coisa que transporta é o próprio fio que costuma prender estes objectos à parede colocado aqui em forma de triângulo sugerindo uma montanha. A peça leva o título “Serra da Estrela” e de um modo divertido e irónico acaba igualmente por definir todo o programa da exposição. O que delimita uma paisagem? Aquilo que se apresenta diante dos nossos olhos ou a moldura que esse olhar circunscreve?

Depois de, em anos anteriores, eleger a autorrepresentação como demanda subjectiva e obsessiva, Miguel Navas interpela a paisagem nos seus arquétipos formais reconhecíveis, mas decantando-a, reduzindo-a a formas e cores essenciais. Nesta produção recente usa a geometria para convocar uma paisagem urbana “real” ou imaginária. Sem nunca se aproximar de um registo naturalista. Navas retém sobretudo os aspectos estruturantes que o olhar capta quando olhar um horizonte urbano: as descontinuidades formais e cromáticas. Usando predominantemente o azul, o verde e o branco, o artista cria uma galeria de telas de várias dimensões que parece gerar ela própria uma paisagem e para a qual cada tela acrescenta uma irregularidade e uma variação.

No fim da exposição, um vídeo mostra imagens de pormenores geométricos resgatados de modo fragmentário à paisagem urbana, reforçando o papel das impressões visíveis na imaginação e organização de cada uma das composições que compõem esta instalação de pintura.

Texto: Celso Martins

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