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Mónica Mindelis

A obra de Mónica Mindelis é uma exploração singular dos limites da representação das sensações estéticas e onde se destaca pela apropriação e proficiência numa linguagem pictórica com raízes no século XX.

O seu trabalho caracteriza-se por um sincretismo em que as técnicas da abstracção convivem com a recolha aleatória de imagens urbanas onde a artista entrevê pinturas ready-made; onde o gesto expressionista e emotivo coabita com um pensamento que nasce da profundidade encontrada nas paisagens do dia a dia; onde a investigação da “mancha” dialoga com texturas que nascem de uma frottage imaginária.

A pintura de Mónica Mindelis é um processo de construção. A estrutura pictórica nasce da exploração inicial da mancha onde se intrometem e são incorporados os movimentos e imagens que a artista, como flâneuse, absorve da vivência urbana. Cada obra é o resultado de um passo inicial em direcção ao vazio da tela onde vão surgindo os seus componentes. O processo prolonga-se até que a tela atinge, o seu momento de compleição. Essa conclusão dá-se ao encontrar um equilíbrio entre os elementos mais ousados e os mais subtis, ao atingir a tensão pretendida.

As obras remetem para uma poesia plástica onde o silêncio da tela branca é substituído pelo ritmo musical com paralelo no gesto que pinta. Como em Tapiés, em Mindelis há um processo ético: as pinturas são a realidade sob a forma de temas para meditação; a sua exibição envolve os espectadores numa comunidade invisível e de afectos com a artista. Esta preocupação ética é visível também nos seus projectos de arte pública que acabam por ser enunciados conceptuais que vaticinam um florescer das preocupações de usabilidade urbana e de consideração para com o Outro, essenciais para a intervenção artística socialmente significativa.

A coexistência da pintura e da criação conceptual é evidente e necessária uma vez que Mónica Mindelis tem ainda um trabalho de exploração da forma e da mancha inacabado como é, por natureza, qualquer exploração estética plástica nas mãos de quem não se intimida com limites nem com o percorrer (re)criativo de caminho já por outros trilhado.

Cláudia Dias




Obras de Mónica Mindelis em acervo.

Série Humanidades

Servidão humana

Tinta acrílica e pastel de óleo s/papel Fabriano | 165 x 165

2011

Série Humanidades

é o que de melhor eu sei fazer

Tinta acrílica, pastel de óleo e colagem s/papel Fabriano | 300 x 165

2011

Série Humanidades

O tempo rodou num instante nas voltas do meu coração

Tinta acrílica e pastel de óleo s/papel Fabriano | 165 x 165

2011

Bull Moose | Acrílico sobre tela de linho | 152 x 152 cm | 2012

Bull Moose | Acrílico sobre tela de linho | 152 x 152 cm | 2012

Da cabeça ao coração III | Acrílico sobre tela de linho | 200 x 143 cm | 2013

Da cabeça ao coração III | Acrílico sobre tela de linho | 200 x 143 cm | 2013

O cavalo de Jorge é também o meu cavalo | Acrílico sobre tela de linho | 150 x 150 cm | 2012

O cavalo de Jorge é também o meu cavalo | Acrílico sobre tela de linho | 150 x 150 cm | 2012

Série Humanidades

Desmistificar o pensar

Tinta acrílica, tinta d água e pastel de óleo s/papel Fabriano | 165 x 165

2011

Série Humanidades

Caixa cheia

Tinta acrílica, tinta d água e pastel de óleo s/papel Fabriano | 165 x 165

2011

3M

3M

Tinta acrílica, pastel de óleo e colagem s/papel Fabriano 300 x 165

Série P&B

Cara feia para mim + fome

Tinta acrílica, tinta d água e pastel de óleo s/papel Fabriano | 150 x 150

Série P & B

Sinfonia

Tinta acrílica, tinta d água e pastel de óleo s/papel Fabriano | 150 x 150

2010

Série P & B

Para o alto e avante

Tinta acrílica s/papel Fabriano 150 x 150

2010

Meu coração

Meu coração

Tinta acrílica, pastel de óleo e colagem s/papel Fabriano 165 x 165

O ciclo da vida

O ciclo da vida

Tinta acrílica s/ tela 200 x 150

Conheci a Mónica Mindelis num encontro programado numa das salas de aulas de pintura. Estava sozinha e a debater-se com umas folhas de papel enormes, num espaço amplo e vazio. No silêncio daquela sala, e na luta que travava, não notou a minha chegada. Por instantes pude observar de relance uma figura discreta e uma pintura vigorosa.

O contacto posterior com a Mónica Mindelis pessoa, com a Mónica Mindelis trabalho, intensificou a minha leitura. Esta dualidade autor/obra, por norma ausente ou não traduzida na leitura do discurso pictórico é, do meu ponto de vista, um dos privilégios a que um galerista pode e deve aceder.

Na arte os afectos têm e terão sempre o primeiro plano. O olhar de observador, interessado na apropriação, dita o grau de conexão com a obra, sem nele conter a assumpção de um dogma, do certo ou do errado. Há como uma linguagem que ultrapassa o dizer, o conhecimento, uma “ciência crítica” ou uma perspectiva histórica. É por assim dizer, um estado puro.

A obra de um autor, sendo uma construção no tempo é, num mesmo momento, reflexo do ser e das suas circunstâncias. Num espaço tão amplo e diversificado como o das artes plásticas, a criação de um discurso inovador, que confira uma identidade própria, supõe uma conquista, por vezes “violenta”. Como referiu Brancusi, “uma coisa é ver ao longe, outra é chegar lá”.
Mónica Mindelis é clara no seu modus operandi, “interessa-me a estética da impermanência, da beleza imperfeita, do incompleto…”, e se a sua pintura nos remete para referências balizadas no tempo e na linguagem, no seu território de trabalho, Mónica Mindelis é Mónica Mindelis. A sua acção, num percurso ainda curto, traduz já essa capacidade de chegar e explorar a pintura a que se propõe.

Reconheço no seu discurso as mesmas palavras de Pedro Cabrita Reis, quando numa entrevista disse: “Não há distância entre aquilo que sou e aquilo que faço, portanto não sou emissário de nada. Tudo o que sai das minhas mãos e do meu pensamento sai exactamente daquele lugar que sou eu. Sou um lugar no meio do mundo. E esse lugar é esta coisa estranha da forma como olho, como penso, como me desloco, como conheço outras pessoas, como as vejo ou não as oiço. Não há nada nos meus trabalhos que me anteceda.”

Miguel Justino Alves
Bloco103


Nasceu em São Paulo, Brasil, em 1978;

1998-2001 – Faculdade Santa Marcelina – Artes Plásticas, São Paulo;
2005-2006 – Etic – Design Gráfico;
2007-2011 – Sociedade Nacional de Belas Artes, Pintura, Lisboa.

Exposições Individuais

• Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, 2011

Exposições Colectivas

• 16º Bienal de Cerveira, 2011
• Fundação Rotária Portuguesa, Coimbra – II Bienal de Pintura, 2011 (Menção Honrosa)
• Inatel, Foz do Arelho, 2010 (1º lugar na categoria de pintura)
• Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa, 2008, 2009 e 2010
• Camâra Municipal Jacareí, São Paulo, 2004
• FUNARTE, Sob curadoria de Shirley Pães Leme Site specific, São Paulo, 2003
• Castel San Pietro Therme, Exposição Mail Art, Bolonha, 2002
• Faculdade Santa Marcelina, São Paulo, 2001
• FUNARTE, Seleccionada através de edital cuja proposta consistia na produção in loco, dos trabalhos a serem expostos, São Paulo, 2000

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