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Pedro Chorão

“…Pedro Chorão inscreveu na produção artística em Portugal uma postura ética de grande rigor, avesso, mesmo por temperamento, à exploração mediática de si ou do seu trabalho, sentindo o exercício da pintura como necessidade íntima, a sua obra gerindo-se numa continuidade discreta, desenhando para si próprio uma relação quase amorosa com a pintura, atitude romântica residual e rara na contemporaneidade.

À data da sua primeira exposição individual, com trinta anos, o artista tinha já um discurso plástico bem estruturado numa apologia de elementaridades expressivas,desenvolvida com grande coerência até à actualidade: a preferência por materiais pobres, pela austeridade dos gestos de registo e mesmo pela escolha dos elementos visuais capazes de dar visibilidade ao núcleo central da sua poética – a evocação abstracta do espaço através das geometrias dos planos da pintura, das profundidades das manchas de cor e das atmosferas da luz…”

Paulo Henriques, introdução ao catálogo da exposição retrospectiva “As Formas do Gesto”, Casa da Cerca, Almada, 2002



Obras de Pedro Chorão em acervo.

sem título | acrílico sobre tela | 100 x 150 cm | 2012

sem título | acrílico sobre tela | 100 x 150 cm | 2012

sem título | acrílico sobre tela | 116 x 150 cm | 2012

sem título | acrílico sobre tela | 116 x 150 cm | 2012

sem título | acrílico sobre tela | 130 x 162 cm | 2012

sem título | acrílico sobre tela | 130 x 162 cm | 2012

sem título | acrílico sobre tela | 130 x 162 cm | 2012

sem título | acrílico sobre tela | 130 x 162 cm | 2012

s/ título

s/ título

Acrílico s/tela | 81 x 100cm

Acrílico s/tela | 81 x 100cm

s/ título

s/ título

s/ título

Acrílico s/tela | 100 x 70cm

Sem título | Acrílico sobre tela | 170 x 210 cm | 2013

Sem título | Acrílico sobre tela | 170 x 210 cm | 2013

Sem título | Acrílico sobre tela | 170 x 210 cm |  2013

Sem título | Acrílico sobre tela | 170 x 210 cm | 2013

Sempre evitei falar da minha pintura por 2 razões:

1 – porque a pintura é para se fazer e não falar dela (os outros se quiserem que o façam).
2 – porque esta forma de expressão se basta a si própria e seria redundante tentar acrescentar com palavras o seu significado.
Se, porventura, a pintura tivesse uma conotação com a realidade e fosse passível de uma explicação,–então já não seria pintura, assim como um poema ou partitura musical erudita também o não seriam. E não são explicáveis porque transcendem qualquer tipo de aparente raciocínio lógico.
Eu, quando gosto de um quadro, digo para mim mesmo: quadro interessante, curioso. E gosto de ficar um bocado perplexo com aquilo. Sem uma explicação.

A satisfação dentro da insatisfação.

Eu não acredito que algum pintor possa ficar alguma vez satisfeito por julgar ter resolvido um quadro. Era um engano. Um pintor vive a fazer tentativas incessantes e consecutivas nas centenas ou milhares de quadros que vem pintando ao longo da sua vida. E ele sabe que não vai conseguir. Mas é esta insatisfação que é fundamental para que continue a procurar mais longe e com muita curiosidade.
E esta insatisfação traduz-se em alegria porque significa a recusa da desistência e da facilidade.

Nota: A pintura é livre. O que significa que quem a faz precisa de sentir muito forte essa liberdade. É bom o divórcio com o oportuno. É bom evitar qualquer deslumbramento perante a moda ou o que aparenta ser novo (porque muitas vezes é novo só por fora, ou seja – já é velho; e não acrescenta).

Pedro Chorão, 2012

“A pintura de Pedro Chorão alia o mínimo de efeitos com o máximo do seu significado pictórico. Quase nada é dito explicitamente, o gesto e a cor exprimem-se numa radical contenção como se o artista menosprezasse o eventual espectáculo que a pintura propicia. É o gesto apenas esboçado e impreciso do artista que interfere nesta espécie de cosmogonia imprimindo-lhe o seu cunho particularíssimo.”

José Sousa Machado, Visão, 16 Abril 1993

“…Pedro Chorão inscreveu na produção artística em Portugal uma postura ética de grande rigor, avesso, mesmo por temperamento, à exploração mediática de si ou do seu trabalho, sentindo o exercício da pintura como necessidade íntima, a sua obra gerindo-se numa continuidade discreta, desenhando para si próprio uma relação quase amorosa com a pintura, atitude romântica residual e rara na contemporaneidade.

À data da sua primeira exposição individual, com trinta anos, o artista tinha já um discurso plástico bem estruturado numa apologia de elementaridades expressivas,desenvolvida com grande coerência até à actualidade: a preferência por materiais pobres, pela austeridade dos gestos de registo e mesmo pela escolha dos elementos visuais capazes de dar visibilidade ao núcleo central da sua poética – a evocação abstracta do espaço através das geometrias dos planos da pintura, das profundidades das manchas de cor e das atmosferas da luz…”

Paulo Henriques, introdução ao catálogo da exposição retrospectiva “As Formas do Gesto”, Casa da Cerca, Almada, 2002


Pedro Chorão nasceu em Coimbra, em 1945.
Estuda Biologia em Liverpool na “North East Liverpool Technical College” de 1963 a 1966. Começa a interessar-se por pintura.
Vai residir em Paris e estuda História da Arte e Arqueologia na “École du Louvre e École Pratique des Hautes Études” (Sorbonne). Começa a pintar. De 1968 a 1972 cumpre o serviço militar obrigatório, dois anos em Portugal e dois anos em Cabo Verde.
Regressado de África, completa o seu Master’s Degree em Pintura na Universidade de Lisboa (Faculdade de Belas Artes).
Volta para Paris com uma Bolsa da Fundação Gulbenkian Foundation (Pintura) entre 1976 e 1978. É-lhe atribuida uma nova Bolsa pela mesma Fundação para pintar em Lisboa, de 1987 a 1989…

Fases
2010-2011
2000-2009
1990-1999
1980-1989
1970-1979

Representado nas principais colecções nacionais e museus de Lisboa e Porto.
Tapeçaria de 12 metros quadrados para a Caixa Geral de Depósitos.
Mural em azulejo (220 metros quadrados) na Covilhã, Portugal, 2004.

Ilustração
Capas para vários livros de poesia e para “Pour un Morale de L’Ambiguité”, Simone de Beauvoir, Éditions Gallimard, Paris.

Prémios
AICA (Association Internationalle des Critiques d’Art) pelos críticos Dore Ashton, René Berger e Sílvia Chicó.
III Exhibition of Fine Arts,Fundação Calouste Gulbenkian, 1987
Bicentenário do Ministério das Finanças, 1988
Bienal of Lagos, 1990
Banco BANIF, 2003

BIBLIOGRAFIA

Duas monografias (1983 e 2009).

“Vale a pena olhar estes quadros e revê-los também, deixar que o tempo participe, sem pressas, na nossa percepção deles, ir entendendo a vida oculta que se passa sob a superfície aparentemente calma, vale a pena senti-los vibrar com as diferenças de luz. Nesse tempo de olhar e perceber chegará também o tempo de entendermos a persistência do pintor na sua pintura: não um modo de vida, mas um modo de Ser.”
José Luís Porfírio, Expresso, Março de 1983

“A pintura de Pedro Chorão alia o mínimo de efeitos com o máximo do seu significado pictórico. Quase nada é dito explicitamente, o gesto e a cor exprimem-se numa radical contenção como se o artista menosprezasse o eventual espectáculo que a pintura propicia. É o gesto apenas esboçado e impreciso do artista que interfere nesta espécie de cosmogonia imprimindo-lhe o seu cunho particularíssimo.”
José Sousa Machado, Visão, 16 Abril 1993

“De um minimalismo exemplar, conceptualmente rigorosas, cada peça de Pedro Chorão vem propor aos teóricos e aos fundamentalistas das movimentações estéticas um espaço despreconceituoso para a arte, lugares onde podemos agilizar as nossas concepções do mundo, a nossa sensibilidade sobre o visível.”
Rocha de Sousa, Jornal de Letras, 21 Dezembro 1994

“Vendo bem, os quadros de Pedro Chorão são feitos de um quase nada, os mais feitos, em meu entender. O que é, logo, o mais difícil de tudo para um pintor, e ainda mais de reparar, se não é isso apenas um assomo hábil, mas mais precisamente, um despojar-se, um significar-se sem ênfase, saber que o muito se reduz ao tamanho da sua verdade na perseguição que se faça ao encontro do essencial. Se se pudesse imaginar todos os quadros de Pedro Chorão em contiguidade ininterrupta, sem intervalos entre eles, veríamos que esta unidade, assim total, é a mesma que cada um contém em si, separadamente dos outros.”
Fernando de Azevedo, introdução ao catálogo da exposição individual na ESBAL, Lisboa, Março de 1979

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