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Bloco103 | Inauguração | 27 de Outubro 2011

Inez Wijnhorst | Justino Alves | Mário Rita

A Bloco103 inaugura a sua actividade com uma exposição colectiva. Partilhamos o entusiasmo e a coragem do primeiro passo. Como um criador, cumprimos a audácia de correr riscos.

Com esta exposição acreditamos no início de uma oportunidade de futuro e na convicção de ser este um tempo de acção, dispondo este projecto à aceitação pública A Bloco103 contém na sua matriz a mais-valia de uma criteriosa selecção de obras e autores. Reunimos gerações distintas. Neles e em cada acto criativo reside o poder de manifestar clarividência. A expressão individual. Uma identidade.

Num território tão amplo e diversificado como o das Artes Plásticas, em constante mutação de paradigma e conceitos criativos, a tarefa a que nos propomos incide numa permanente atenção aos actos criativos e autores, optando por aqueles que conformem uma identidade própria, qualificada, um discurso inovador e se inscrevam na área das opções da Bloco103.

Nas telas resistem fragmentos, resiste a memória, um processo, um ofício. Na matéria vive o autor e o seu tempo. Na matéria sobrevive uma construção que emerge da essência e por provir da essência permanece. É única. É absoluta.

A Bloco103 pretende assumir-se como um pólo difusor de identidades, privilegiando uma relação de continuidade entre a galeria, autores e público, num convívio que defenda os interesses dos seus interlocutores.

Pretende-se assim apresentar obras de diferentes concepções, atingindo distintas áreas técnicas e processos de realização, em abertura a múltiplas expressões, cuja única discriminação se situa na qualificação das obras produzidas e originalidade dos seus conceitos.

Contamos consigo na expectativa da sua adesão ao projecto com que iniciamos a actividade, confiantes no futuro e na valia das obras e autores que entendemos representar.


Será que é cada vez mais fácil escrever difícil? Será que o fácil se tornou difícil?

Será que os sentidos não se cruzam com as palavras que existem para os satisfazer?

Entre o sentido adivinhado e aquela onde o que parece descoberta falha, está o acto malabarista de dar evidências para retirar do vazio o próprio vazio e ao oferecer-se fazer de conta, sendo. E sendo, comprometer o diálogo de quem se acerca e quer ganhar intimidade e ficar de fora por não ter entendido o chamamento.

É fácil escrever assim difícil, dificuldade jogada na simplicidade existente dum olhar genuíno, irónico, comentador, aproximado entre a lupa que aumenta e o coração que enriquece, que as somadas imagens de Inez Wijnhorst jogam ao vivo a perdição das palavras, e perde-as e rejeita-as e apela a que se juntem porque sabe do dizer para além delas que a imagem tem.

Este tecido crescente, de construção crescente, de repetições simples e enriquecidas como os dias, de novidades e florescimentos como acontece na vida, jogam nesta pintura as palavras do gosto, da matéria, da cor da pintura ali e da ironia presente como uma piscadela de olho a comprometer-nos. A chamar-nos fazer parte, a levar-nos a procurar na floresta límpida, algum espaço menos inquieto, menos provocador, um canto de onde se veja com abrigo o mal do mundo. Não há chapéu que sirva. A cabeça deve saber-se a sentir o vento e a gostar da vida a correr tal como a pintura a consegue travar num amplo puzzle, sempre ávida, lúdica, bela, nunca fácil.

Rogério Ribeiro

Desde muito jovem assumi a Pintura como espaço adequado à sensibilidade que sempre me acompanhou, e o meio por excelência que possibilitaria concretizar uma obra de autor.

No desenvolvimento da Pintura e ao longo do tempo foram sendo construídos ciclos temáticos ou seja, conjuntos formalmente mais ou menos próximos com especial relevo para os seguintes: – Formas e Espaços – Formas Símbolo – Composição – Composição N/M – Formas Figuras – Formas Planas e outros.

A partir destes enquadramentos a Pintura seguiu o seu ritmo, evoluindo no contexto de cada opção temática, sobressaindo do seu exercício imagens de proximidade simbólica à realidade ou sugestões abstraccionistas desenvolvidas no plano.

Todo o método e a sua génese apoiam-se no confronto da matéria, da geometria que a sustenta e caracteriza, no aprofundamento técnico e nas acções que constroem o “quadro” e o seu alinhamento tanto formal como semântico.

É no decorrer destas relações a que se soma um forte conjunto de hiatos experimentais, que por vezes encontro a chave para uma outra tipologia de imagens, ponto de partida para uma nova incursão no plano da criatividade.

Assim se foram concretizando as várias etapas e movimentos, cuja unidade se situa na transferência de um mesmo Universo – de quadro para quadro – recriando sucessivamente o acto de pintar.

Desta realidade, das suas marcas estigmas e sinais, prevalece uma caracterização cognitiva comum – das primeiras às últimas Pinturas – certificando uma identidade o seu percurso e as escolhas que privilegiou.

Justino Alves

“Dar sentido aos elementos é uma tarefa que em Mário Rita assume a forma de traçar o papel, ocupar a tela. A não-especialização numa única linguagem pictórica – vive no espaço entre a pintura figurativa, abstracta, expressionista – é fruto do carácter irrequieto daquele que persegue os vestígios das coisas e as integra. Há uma espécie de lastro que o olhar deixa na paisagem e nos objectos que percepciona e é a sua reconstrução que Mário Rita ensaia de cada vez. A natureza fragmentária com que alguns dos seus trabalhos surgem, deve-se à atenção que dedica a cada um dos seres sobre os quais se debruça.”

Nuno Crespo

Brevemente

Brevemente

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