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Aconteceu de 02 de Fevereiro a 17 de Março 2012

As imagens apresentadas encontram-se disponíveis na galeria.

Rosa Reis | Fotografia
Fundação Champalimaud, pesquisas no espaço

Susana Paiva | Fotografia | a autora já não colabora com a Bloco103, mais informações sobre o seu trabalho em: www.susanapaiva.com
Untitled #01 | a partir de Ceci n’est pas…

Primeira exposição de fotografia na Bloco103.
Dois nomes. Duas exposições. Rosa Reis e Susana Paiva têm em comum um património construído e estruturado. Sem cedências.
As imagens de espaços desabitados, a arquitetura construtiva de Rosa Reis no território da Fundação Champalimaud, contrastam com o olhar noturno e iconográfico de Paris e Barcelona em “Untitled #01″ | a partir de Ceci n’est pas…”, construído pela mão de Susana Paiva.

Por Ana Pinheiro Torres
A segunda exposição que a Bloco 103 apresenta articula o trabalho de duas fotógrafas profissionais, Susana Paiva e Rosa Reis, ambas com carreiras bem firmadas e amplamente reconhecidas no âmbito da fotografia documental e de autor.

Tendo em conta o percurso e a obra de ambas, não deixa de surpreender esta associação. Um breve olhar detecta uma certa uniformidade nas obras seleccionadas para esta mostra: uma mesma temática – a urbanidade e a arquitectura; a presença da cor, o tratamento das fotografias, suas dimensões e porte. A um segundo olhar não escapam as dissemelhanças, mas aí residem, justamente, as chaves de descodificação das obras de cada uma e a decifração daquilo que permite a sua apresentação conjunta.

Susana Paiva procura estabelecer um estado de inspiração mental como norma, busca criar obras que cultivam o mistério, produzem curiosidade e estimulam a acção criativa por parte do espectador. As suas fontes de inspiração são sobretudo internas e o seu método de trabalho implica uma postura de viajante incansável, quase nómada. Esta artista vem fotografando o meio teatral há já duas décadas, percorrendo um trajecto artístico (não por acaso com origem na escrita) que lhe permitiu adquirir evidentes competências no que à volumetria e à utilização da luz diz respeito, denotando uma grande influência da cenografia. Nos seus trabalhos mais recentes procura desconstruir a realidade através da desmaterialização do visível, levando ao extremo a sua capacidade de manipular a luz e a cor. As obras que aqui apresenta, da série” Ceci n’est pas “ (cujo título alude à obra de Magritte e à ideia de que a representação não é a coisa em si) exibem atmosferas urbanas que se agigantam em torno de vultos ou que denunciam a presença do humano. As personagens que habitam aquilo que afinal são as suas paisagens inventadas, vão ou vêm de algum lugar, quase deambulam por ali, o que acentua a dimensão imaterial das suas obras.

As fontes de inspiração de Rosa Reis são maioritariamente externas, são produto da sua profissão, o seu método está estreitamente ligado às encomendas que recebe e ao ambiente em que quotidianamente se move. Três décadas decorreram desde que esta artista se iniciou na prática da fotografia documental em ambientes laborais e industriais, sendo paradigmático o excelente trabalho que desenvolveu na Lisnave, no período que antecedeu o encerramento daquela instituição. As obras que agora apresenta foram realizadas no decurso da construção da Fundação Champalimaud, em Belém, e seguem a sua habitual prática do “momento decisivo” – são fotografias directas, executadas com precisão, que concentram toda a atenção em momentos determinantes. As suas imagens mostram-nos espaços em construção, denotam grande cuidado com a perspectiva e uma apetência pelas volumetrias. A realçar a materialidade das suas obras, as figuras humanas, embora em segundo plano (o que não é habitual no seu trabalho) parecem ter uma função e um propósito.

Tendo em conta estas diferenças, o que há em comum entre a imaterialidade das imagens que Susana Paiva produz e a materialidade das imagens de Rosa Reis? Ambas representam a realidade, seja esta transformada ou repetida, porque toda “a arte é um facto mental, ligado ao conhecimento das coisas e dos meios da comunicação visual. As coisas não são mais do que a realidade na qual todos vivem, os meios são instrumentos que permitem tornar visível aquilo que o cérebro capta a partir dos estímulos externos”. (Bruno Munari, Design e Comunicação Visual, 1968)”.

Janeiro de 2012

Rosa Reis




Sou fotógrafa, faço o que gosto. Um privilégio.

A formação académica enriqueceu-me como fotógrafa e como pessoa e continuo numa procura permanente de aprender com todos.

A fotografia é a minha escrita preferencial, uma forma de comunicar e interagir com as pessoas e o espaço. A abordagem emotiva aos temas relacionados com o trabalho, uma interacção com espaços habitados ou não e que evocam emoções que perpetuam memórias entre gerações.

Fotografo com especial incidência o Trabalho/Espaço/Memória e Jazz.

Projectos longos que decorrem entre um a três anos e em que o tempo desempenha um papel insubstituível ao conhecimento e empatia com pessoas e espaços, indispensável ao meu modo operandis.

Edouard Boubat, Robert Doisneau, Lewis Hine e Sebastião Salgado são os fotógrafos mais influentes na minha carreira, não descurando a importante cultura do olhar que sempre procurei quer em exposições quer em livros e revistas.

Neste processo criativo que desenvolvo em torno da fotografia sinto uma enorme alegria em poder comunicar com o nosso Mundo.

Rosa Reis

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