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Sara Maia

Sem dúvida uma Sara Maia transmutada, com o seu gosto cromático mais afinado e sentido lúdico mais súbtil. O jogo das personagens flutuantes, mas muito materiais, brincam no seu mundo isolado, com as suas inquietações picológicas, tentando resolver e exorcisar os medos que as assolam. Esta é sem sombra de dúvida, o trabalho que, tanto ao nível formal como ao nível do seu conteúdo político, social, mas também puramente existencial, nos permite antever uma artista plástica em franco aprofundamento plástico, cuja tradição artística se encontra com um figurativismo futurista, constantemente em busca das formas e das respostas certas. Será Sara Maia uma “vidente” da arte contemporânea?

Elisa Ochôa

Sara Maia tem um percurso de uma coerência rara no panorama da arte contemporânea. Devedora de uma aprendizagem particular, resultante da frequência do curso de pintura no Ar.Co, que lhe deu uma maior liberdade criativa e a marcou sobretudo pela fortíssima componente de desenho. Este tem uma presença fundamental na sua obra e surge quase sempre como um apontamento mais veloz, experimental e lúdico. Obras do início como Site-Specific (1997) demonstram a importância desta disciplina ao mesmo tempo que introduzem a imagética característica da linguagem específica da artista, entre o grotesco e a deformação expressionista. Surgem as personagens metamorfoseadas, freaks ou cyborgs (certamente híbridos) de um mundo às avessas. Estas travam eternas lutas de domínio e subjugação, rasgam a carne evidenciando a fragilidade e efemeridade do corpo, riem-se do medo da dor, desafiando-a. Estas figuras vão ganhar vida e continuar outras narrativas nas obras realizadas em 2000. Aqui começam a individualizar-se em cenas onde, em vez de uma amálgama de seres, encontramos dinâmicas que se desenvolvem em torno de duas ou três personagens. Ganham assim o estatuto de verdadeiras personas. Estas cenas ocupam-se da análise das relações com o Outro, onde o fio se torna o símbolo das ligações surgindo como uma espécie de cordão umbilical. Começam a surgir apontamentos de cor que são quase como sabotagens ou contaminações que completam ou produzem um curto-circuito com o traço do desenho.
(…)
O seu trabalho é um local de coexistência de opostos: ao mesmo tempo que trata o adjecto e o obscuro, as suas obras jogam no pólo do lúcido, do rídiculo, da capacidade de se rir das desgraças do mundo como forma de catarse das mesmas. Neste sentido poder-se-ia pensar na análise de Deleuze e Guatarri da obra de Kafka – do riso como derrisão. O trabalho de Maia é altamente humanista, sem ser piedoso, onde encontramos qualidades e defeitos das nossas próprias realidades.

Algumas das suas figuras ao abrir fissuras nos seus corpos evidenciam aquele que é o lugar da condição humana: entre o mortal e o divino, sempre no lugar da falha. E, por isso, talvez se possa aplicar aqui o que Van Alphen escreveu acerca da pintura de Francis Bacon onde afirma que ver as suas obras magoa, causa dor, mesmo não sabendo exactamente a origem dessa ferida aberta. As pinturas de Maia apresentam a alternativa a um mundo pretensamente clínico que tenta esconder atrás de uma capa bonita que se constitui como verdadeiramente real, visceral.

Carla de Ultra Mendes




Obras de Sara Maia em acervo.

Nada se perde, tudo se transforma | Acrílico sobre papel, tinta da china e colagens | 200 x 275 cm | 2013

Nada se perde, tudo se transforma | Acrílico sobre papel, tinta da china e colagens | 200 x 275 cm | 2013

It's not about... | Acrílico sobre papel, tinta da china e colagens | 200 x 241,5 cm | 2013

It's not about... | Acrílico sobre papel, tinta da china e colagens | 200 x 241,5 cm | 2013

Torre | Tinta da china sobre papel | 50 x 65 cm | 2013

Torre | Tinta da china sobre papel | 50 x 65 cm | 2013

Sem título | Tinta da china sobre papel | 56,5 x 76 cm | 2013

Sem título | Tinta da china sobre papel | 56,5 x 76 cm | 2013

Nada se perde, tudo se transforma | Acrílico sobre papel, tinta da china e colagens | 200 x 275 cm | 2013 thumbnailIt's not about... | Acrílico sobre papel, tinta da china e colagens | 200 x 241,5 cm | 2013  thumbnailTorre | Tinta da china sobre papel | 50 x 65 cm | 2013  thumbnailSem título | Tinta da china sobre papel | 56,5 x 76 cm | 2013  thumbnail


Sara Maia
Lisboa, 1974.
Vive e trabalha em Lisboa.

Formação
1991‑97 – Diplomada pelo Ar.Co (Centro de Arte e Comunicação Visual)

Exposições individuais
2009
. Ermida N.ª Sr.ª da Conceição, Love you dysfunctional, Lisboa
2008
. Maus Hábitos, Projecto Finissage, Porto
2007
. Sala do Veado, Museu de História Natural, O sono do cão, Lisboa
2006
. Galeria Fonseca Macedo, Cabeças de Palha, S. Miguel, Açores
2005
. Galeria Artadentro, Capital da Cultura, Sete Dias, Faro
2004
. Galeria Patrice Trigano, Le coeur au bord des lévres, Paris
. Instituto Camões – Embaixada de Portugal, Desenhos, Paris
2003
. Museu da cidade, Edifício Chiado, Capital da Cultura 2003, Coimbra
2002
. Centro Cultural de Cascais, Aversão e riso, Cascais
2001
.Galeria Mário Sequeira, Happy Lady, Braga
. Patriarcal – EPAL, Sara Maia, Lisboa
2000
. Galeria Municipal de Montijo, Tédio, Montijo
. Sala do Veado, Museu de História Natural, Tédio, Lisboa
. Galeria Paula Fampa, Rumor, Braga
1999
. Galeria Ratton, Lisboa
1995
. Banco Comércio e Indústria, Lisboa
. Casa dos Açores, Lisboa

Exposições colectivas
2010
. Sala do Veado, Museu de História Natural, Cabinet d’Amateur, Lisboa
2009
. Palácio de Belém, Um século, dez lápis, cem desenhos: Viarco Express
. Galeria Pedro Serrenho, Novos ao 8itavo Mês, Lisboa
2005
. CAAM – Centro Atlantico de Arte Moderno, La Costilla Maldita, Las Palmas de Gran Canaria
. Movimentos Perpétuos, sede Millennium BCP, exposição de obras serigrafadas para edição, Homenagem a Carlos Paredes, Lisboa
2004
. Movimentos Perpétuos, Homenagem a Carlos Paredes, Lisboa
. Fábrica da Cerveja, Capital da Cultura, Tractor, Faro
2002
. Culturgest, Lisboa, Novas Aquisições da Culturgest
2001
. Galeria Mário Sequeira, Nova Figuração, Braga
. Museu de Arte Moderna – Colecção Berardo, Pique-Nique, Sintra
2000
. Museu Nogueira da Silva, Braga, Exposição da Colecção de Obras da Galeria Desenho, Estremoz
1999
. Prémio Amadeo de Sousa Cardoso, Museu de Amarante, Amarante
. Quinta da Cruzadas, Sintra
. Prémio Bienal do Montijo, Montijo
1997
. Ar.Co’97, Solar dos Zagalos, Almada
1996
. SNBA, Diversidades, Lisboa
. Ar.Co’96, Solar dos Zagalos, Almada
1993
. Prémio de Pintura João Barata, Lisboa
. Banco Comercial de Macau, Revelações 93, Porto
1992
. Prémio de Pintura Fidelidade, Biblioteca Nacional, Lisboa


. Colecção Banco Privado, Lisboa
. Colecção Berardo, Museu de Arte Moderna, Sintra
. Colecção Caixa Geral de Depósitos, Lisboa
. Colecção de Obras da Galeria Desenho, Estremoz
. Colecção Mário Sequeira, Braga
. Colecção Vítor Madeira, Lisboa
. Colecção João Rendeiro, Lisboa
. Colecção Sáragga Leal, Lisboa
. Colecção P.L.M.J., Lisboa
. Colecção Juan Bartez, Madrid
. Colecção Alcatel Lucent, Portugal

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